Artigo·3 min
Glioma Difuso Adulto de Baixo Grau 2026 Parte 1
Protocolos de RM, radiogenômica e critérios práticos para gliomas de baixo grau
Tomás Freddi
08 de agosto de 2026
No vídeo "Glioma Difuso Adulto de Baixo Grau 2026 — Parte 1", o Dr. Tomás Freddi faz uma atualização prática e baseada em evidência sobre os gliomas difusos do adulto de baixo grau, enfatizando aspectos de neuroimagem que impactam diretamente o manejo clínico e cirúrgico. Esta primeira parte aborda protocolos de ressonância magnética, radiogenômica aplicável na prática e princípios essenciais para avaliação pré, intra e pós-operatória.
Conteúdos Abordados
- Objetivo clínico do exame: importância de um exame de alta qualidade para orientar cirurgião e oncologista — localização precisa, estimativa do volume tumoral e hipótese diagnóstica (astrocytoma vs oligodendroglioma) influenciam planejamento cirúrgico e prognóstico.
- Protocolo essencial de RM para glioma de baixo grau: T1, T2, FLAIR (ênfase em FLAIR 3D volumétrico de alta resolução), DWI/ADC, SWI, pós-contraste. Sequências adicionais quando indicadas: perfusão, espectroscopia e tractografia (esta última fundamental no pré-operatório).
- Ressonância intraoperatória e pós-operatório imediato: utilidade da RM intraoperatória para ressecção máxima segura; RM pós-operatória imediata (24–72 h) para detectar resíduo tumoral vs isquemia perioperatória (isquemia subaguda pode captar contraste em controles tardios e mimetizar recidiva).
- Radiogenômica aplicada (o que é factível hoje): predição não invasiva, principalmente IDH e co-deleção 1p/19q — sinais de imagem com utilidade clínica realista e aplicável no dia a dia.
- Assinatura imagiológica do oligodendroglioma (IDH-mut, 1p19q co-deletado): pacientes jovens; predomínio frontal/parietal; marcante infiltração cortical; calcificações lamelares (altíssima especificidade); heterogeneidade em FLAIR/T2; perfusão aumentada e espectroscopia com colina elevada são comuns, porém não necessariamente indicam grau mais alto.
- Assinatura imagiológica do astrocytoma IDH-mut (não codeletado): infiltração predominantemente da substância branca (menor infiltração cortical que o óligo), sinal T2‑FLAIR mismatch (alto sinal em T2 com queda central no FLAIR) — marcador robusto para IDH-mut não codeletado; cistos frequentes; realce e restrição à difusão, quando presentes, aumentam a suspeita de transformação para maior grau.
- Critérios práticos do T2‑FLAIR mismatch e gradação por extensão: presença de mismatch em >50% do volume favorece astrocytoma IDH-mut; <25% favorece oligodendroglioma; 25–50% indeterminado — quando dúvida, colocar hipótese no laudo. Uso atual do sinal no laudo ainda subutilizado na prática clínica (estimativa: ~20% geral, <50% em centros especializados).
- Sinal de mismatch parcial e prédicao de alto grau: mismatch parcial com áreas de realce contrastivo fora da área de mismatch correlaciona com astrocytoma de alto grau (transformação anaplásica/grau 4) — importante para prognóstico e planejamento de ressecção dirigida.
- Glioblastomas moleculares não captantes de contraste (GBM não realçantes): podem mimetizar baixo grau. Perfis descritos (Rajan et al.) incluem idade mais avançada (>55 anos), ADC baixo (restrição), sinal homogêneo em FLAIR sem mismatch, margens mal definidas e ausência de calcificação. Clínica e evolução temporal (curto intervalo de acompanhamento) são decisivas; técnicas avançadas podem ajudar, mas têm limitações técnicas.
- Implicações práticas para o laudo: sempre que possível indicar localização, hipótese histomolecular (ex.: “sugere oligodendroglioma — IDH mut, 1p/19q codeletado” ou “sugere astrocytoma IDH‑mut não codeletado / sinal T2‑FLAIR mismatch”), e informar extensão de ressecção (resíduo parcial vs ressecção completa) e presença de achados pós‑operatórios como isquemia.


