#clipe #aneurisma #segurança
Olá, neuroskyer! Hoje o skycast premium é sobre segurança em RM! Você sabe em que situações os clipes de aneurismas são compatíveis com os magnetos da RM? No final de 2019, foram publicados novos guidelines holandeses sobre este assunto, traduzidos para o inglês em 2021 (pdf na íntegra abaixo). Selecionamos alguns pontos-chave para comentar.
Na prática diária, é comum não sabermos qual foi o clipe de aneurisma implantado no paciente. A presença de um clipe ferromagnético é uma contraindicação absoluta à realização de RM, pois pode levar mesmo à morte do paciente durante o exame, por ruptura da parede arterial (Klucznik, 1993). Estimar o risco individual para o paciente é complicado e depende da condição da parede do vaso na qual o clipe do aneurisma é colocado, além de outras questões físicas locais. Sabemos que os clipes ferromagnéticos foram utilizados até o final da década de ’90. Devemos ter muito cuidado, portanto, pois tais pacientes podem se apresentar para fazer exames de RM décadas depois.
Em relação aos clipes não-ferromagnéticos, sabemos que são seguros no ambiente da RM, sem apresentarem atração, torque ou aquecimento significativos durante o exame.
Desta forma, estratégias são necessárias para selecionar quais pacientes podem ser submetidos ao exame quando não sabemos exatamente qual tipo de clipe foi implantado.
Baseados em estudos realizados nos EUA e na Holanda, os guidelines concluíram que a chance de um clipe ser ferromagnético é alta se implantados antes da metade dos anos ’80, e baixa a partir do final dos anos ’90.
Data de colocação do clipe (Holanda) | Grau de certeza de que o clipe NÃO é ferromagnético | Chance que o clipe seja ferromagnético |
2000 e após | >99.0% | <0.1% |
1995-1999 | 97% | desconhecida** |
1990-1994 | 81% | desconhecida** |
1986-1989 | 47% | desconhecida** |
1980-1985 | 3% | desconhecida** |
Antes de 1980 | 0% | >90% |
*Quando questionado na pesquisa, cada instituto respondeu inequivocamente à questão sobre a partir de qual data todos os clipes implantados são não-ferromagnéticos. Para criar esta tabela, assumiu-se que, antes do ano em questão, 100% dos clipes implantados teriam sido ferromagnéticos. Desta forma, a porcentagem de clipes não ferromagnéticos pode ser maior. **O uso de clipes ferromagnéticos entre os anos 1980 e 2000 não pode ser determinada com precisão. – Dr. Mark B.M. Hofman et al – ISMRM | ||
A avaliação de risco para os clipes foi realizada com base nos riscos padrão para implantes metálicos na RM. O risco de deslocamento e rotação do implante devido ao campo magnético e ao gradiente espacial do campo é o maior risco para clipes ferromagnéticos, enquanto é mínimo para os clipes não-ferromagnéticos.
No caso de um tipo desconhecido de clipe de aneurisma, uma política conservadora pode ser seguida e, como precaução, pode-se decidir não realizar uma ressonância magnética (Mamourian, 2007). No entanto, deve-se levar em conta que a retenção do diagnóstico por meio de RM pode ter consequências negativas para o paciente e, portanto, ambos os aspectos devem ser ponderados um contra o outro (Kanal, 2013).
Local de implantação do clipe | Ano de implantação do clipe | Probabilidade de dano causado por um clipe não seguro na RM* |
Holanda** | 2000 e após | Improvável |
1990-1999 | Raro*** | |
1989 ou antes | Esperado | |
Outros lugares | 1995 e após | Raro |
1994 ou antes | Esperado | |
*Isto se aplica apenas aos sistemas de RM horizontal de corpo inteiro com abertura fechada (1.5T e 3T) **Holanda ou país/hospital com nível equivalente de cuidados em saúde ***Isto é baseado no fato de que antes que todos os clipes fossem não-ferromagnéticos, a maioria dos clipes produzidos a partir dos anos ’90 eram não-ferromagnéticos, e que um clipe ferromagnético nem sempre irá causar dano. | ||
Feitas estas considerações, o grupo chegou a estas conclusões em relação a clipes desconhecidos:
- Risco de aquecimento do implante devido à interação com o estímulo por radiofrequência: menos de 1º;
- Risco de vibração ou indução de correntes pelos gradientes do campo magnético oscilante aplicados para a codificação espacial do sinal de RM: devido ao tamanho do implante, isto é insignificante;
- Artefato da imagem: para clipes ferromagnéticos, até 4 cm. Caso contrário, tipicamente < 1 cm;
- Risco de forças devido ao efeito Lenz durante o movimento rápido dos implantes condutores no campo magnético estático do aparelho de RM: devido ao tamanho do implante, isto é insignificante;
- Risco de perturbação do implante: o único risco significativo de perturbação está no deslocamento e rotação do clipe.
Além de tudo isso, as seguintes orientações devem ser observadas:
– Faça de tudo para saber o modelo específico do clipe antes do exame (pergunte ao paciente se ele tem alguma carteirinha, reveja o prontuário, a descrição cirúrgica ou tente obter por escrito a especificação técnica do clipe com o neurocirurgião / serviço onde o paciente foi operado);
– Uma vez de posse da marca e modelo do clipe, consulte o pdf do material na internet e/ou sites especializados em segurança em RM, como “a lista” no mrisafety.com ;
– Verifique se o paciente já realizou RM antes e, em caso positivo, descubra em quais condições técnicas (especialmente qual o campo magnético) e reveja as imagens. Dependendo dos artefatos verificados, é possível estimar o grau de ferromagnetismo do clipe. Em tese, caso o paciente já tenha realizado RM com segurança antes, poderia realizar o exame nas mesmas condições técnicas.
Se ainda não estiver claro se o clipe é seguro, mas o exame for necessário, siga as seguintes recomendações:
– Informe o paciente e peça seu consentimento por escrito;
– Escaneie a 1.5 T, se a probabilidade de um clipe ferromagnético for maior que “raro”;
– Na medida do possível, mantenha a cabeça do paciente centrada na abertura do gantry, e não nas bordas da abertura do orifício. Isto porque no centro as forças são menores do que nas bordas. Prefira o posicionamento do paciente em “pés primeiro”;
– Apoie/fixe a cabeça do paciente o melhor possível, para evitar movimento;
– Não escaneie em um sistema de ressonância magnética aberto.
Esperamos que estas orientações sejam úteis na sua prática diária!
Até o próximo skycast premium!
