Artigo·4 min

Trauma Cervical: prognóstico detalhado

Diagnóstico de instabilidade cervical traumática: integração entre TC e RM

Mariana Dalaqua
Mariana Dalaqua
11 de fevereiro de 2021
Trauma Cervical: prognóstico detalhado
https://youtu.be/KsCu7fHqCX4   Sabe aquele caso de coluna que parece normal? Então... nem tudo que parece, é! Quando o assunto é trauma cervical, não se contente em ter encontrado uma única alteração! Um exame mais detalhado é mandatório. No caso de hoje a Dra Mariana Dalaqua detalha as imagens de um paciente idoso com história de trauma leve na coluna cervical. Antes de mais nada, analisando a tomografia sem contraste, vemos as estruturas ósseas com algumas alterações degenerativas. Inicialmente, observamos osteofitose marginal anterior e alguns cistos subcondrais. No entanto, não vemos nenhuma fratura das estruturas ósseas ou perda das relações articulares, tanto na parte crânio-cervical quanto nas facetas articulares. Então, a princípio, esse é um exame sem grandes alterações ósseas, exceto as degenerativas.

Analisando o Axial em Busca de Novos Indícios de Alterações

Porém, quando olhamos os cortes no plano axial, com janela para partes moles, vemos uma questionável hiperdensidade na porção anterior do interior do canal vertebral. Assim sendo, devemos questionar se há hematoma epidural anterior em primeiro lugar. Depois, olhando um pouco mais baixo na altura da vértebra C6, fica claro que esse hematoma epidural é real. Além disso, existe também um componente posterior que comprime discretamente a superfície posterior da medula.

Analisando o Trauma Cervical através da Ressonância Magnética

Consequentemente, por conta das alterações mencionadas, o paciente foi encaminhado para a ressonância magnética (RM). Na RM, caracterizamos um grande edema da musculatura paravertebral posterior bilateral. Visivelmente é um edema bem significativo e extenso para um trauma cervical supostamente leve. Adicionalmente, na parte anterior, temos um achado importante: do lado esquerdo vemos o flowvoid habitual da artéria vertebral esquerda, ao passo que à direita não temos certeza se o flowvoid está realmente presente. Este fator nos leva às seguintes perguntas: será que existe fluxo nessa artéria? Será que o fluxo é lento? Será que é uma artéria hipoplásica? Será que existe uma dissecção arterial?

Ligando os pontos

Conforme revelam as imagens, há uma alteração importante no nível C5-C6. Na topografia do espaço discal, existe um sinal de líquido entre os corpos vertebrais. Inegavelmente, existem algumas alterações degenerativas, um pouco de uncoartrose também. Certamente, podemos afirmar que, este hipersinal no espaço discal, é um sinal de alerta de uma possível lesão disco-ligamentária. Por outro lado, na sequência sagital STIR, confirmamos o edema da musculatura e, de fato, vemos que existe uma anterolistese de C5 sobre C6. Há um deslocamento de C5 sobre C6 associado a um hematoma pré-vertebral, e a uma lesão disco-ligamentária anterior. Afinal, vemos um componente de hematoma epidural anterior e também um componente de hematoma epidural posterior que não está tão claro na imagem.

Confirmando o Diagnóstico no Axial

Então, na sequência gradiente (T2*) na altura da C6 a direita, confirmamos que existe o hematoma epidural posterior que nós tínhamos visto na tomografia. O que é interessante deste caso é que na TC no nível C5-C6 parecia que havia uma discreta retrolistese, ao passo que, quando olhamos na RM, não é a mesma coisa, existia uma anterolistese,  sendo esse exame feito com menos de 12 horas de intervalo em relação à TC. Analisando as relações articulares facetárias, vemos uma subluxação facetária bilateral associada a uma lesão disco-ligamentária anterior e posterior. Então, mesmo o paciente sendo imobilizado no intervalo entre os dois exames, concluímos que essa é uma fratura instável e que o paciente talvez precisasse de uma fixação cirúrgica.

Exames Complementares para o Prognóstico do Trauma Cervical

Além disso, nesses casos devemos recomendar a realização de um exame complementar, uma angioressonância ou uma angiotomografia, para avaliar a perviedade da artéria vertebral direita. Neste caso foi realizada a angiotomografia arterial cervical que demonstrou uma vertebral direita irregular, com áreas de afilamento de calibre entremeadas por segmentos de recuperação de calibre. É um paciente já idoso que tem com ateromatose, pode ser que as alterações sejam só isso? Pode ser... porém, o V4 direito apresenta pontos de oclusão, o que neste contexto, não nos permite descartar dissecção arterial. A grande mensagem deste caso: em se tratando de trauma cervical, não podemos deixar de buscar ativamente por alterações importantes, que mudam o prognóstico e a conduta do paciente. Esperamos que tenha gostando do nosso conteúdo!   Saudações a todos NUROskyers!!!!

Continue explorando

Comentários

Entre para participar da discussão.

Seja o primeiro a comentar.

0% · 4 min