Artigo·14 min
Ressonância RN
Caso de traumatismo craniano neonatal: abordagem complementar TC-RM
Tomás Freddi
10 de novembro de 2025
No vídeo "Ressonância RN" apresentamos um caso de neuropediatria em recém-nascido com nove dias de vida: um traumatismo craniano com fratura da calota e achados de ressonância magnética que ilustram padrões característicos e de alto valor diagnóstico na prática pediátrica.
Conteúdos Abordados
- Contexto clínico: RN de 9 dias submetido à TC após queda doméstica, indicação e relevância da imagem em neuropediatria.
- Tomografia computadorizada: filtro ósseo com fratura deprimida da calota (padrão "pingue-pongue" típico em pediatria) envolvendo temporal e parietal direitos; reconstrução 3D importante para avaliação da extensão do afundamento.
- Achados em partes moles na TC: áreas de hiperdensidade e hipodensidade temporais compatíveis com contusão hemorrágica; discreto hematoma subdural agudo próximo ao tentório.
- Ressonância magnética — T1/T2: foco hiperdenso em T1 na periferia do giro temporal superior com componente de diferentes sinais (nível hidroaéreo), e múltiplos focos puntiformes com hipersinal em T1 ("focos pontiformes do recém-nascido"), provavelmente hemáticos.
- SWI/SWAN: depósitos de hemossiderina e siderose superficial subaracnoideais e micro-hemorragias subcorticais que sugerem traumatismo craniano grave e dispersão hemática cortical.
- Difusão (DWI) e padrão Yin-Yang: área periférica com padrão em yin-yang na superfície cortical (restrição localizada e componente não restrito), padrão característico de hemorragia subpial em neonatos — diagnóstico radiológico distintivo.
- Degeneração walleriana aguda: restrição à difusão ao longo da projeção corticoespinhal (pedúnculo, ponte) compatível com degeneração walleriana aguda secundária à lesão do trato corticoespinhal.
- Implicações prognósticas: focos puntiformes hemáticos na substância branca associam-se a maior risco de lesão permanente; importância de reconhecer hemorragia subpial, siderose e lesão de trato motor para orientar prognóstico e seguimento.
- Diferenciais e etiologias: trauma direto (provável neste caso), mas também considerar coagulopatias, anóxia perinatal e processos infecciosos como causas de padrões semelhantes.


