Sinal do tridente na síndrome da desmielinização osmótica

Olá pessoal, aqui quem fala é Vanessa Mendes Coelho e hoje no SkycastPremium vamos abordar um pouquinho do aspecto de imagem da síndrome da desmielinização osmótica. Vamos revisar?

Uma senhora de 55 anos com dislipidemia e hipertensão apresentando tontura, letargia e múltiplos episódios de vômitos. 

Ela estava em uso de indapamida/perindopril e anlodipina anteriormente. O sódio inicial era <100 mmol/l e aumentou para 115 mmol/l em 12 h após correção com solução salina a 3%. O paciente desenvolveu confusão mental cinco dias depois, apesar da normalização do sódio. 

A ressonância magnética (RM) cerebral mostrou o sinal do tridente (hipersinal em T2/FLAIR na região central da ponte) – FIGURA 1, hipersinal em T2/FLAIR no tálamo bilateral e núcleos da base bilaterais (FIGURA 2). O exame do líquido cefalorraquidiano foi normal. Foi tratada com plasmaférese e apresentou boa melhora clínica.

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A síndrome de desmielinização osmótica (SDO) foi relatada pela primeira vez em 1959 por Adams e Victor entre pacientes desnutridos e pacientes com alcoolismo crônico. Geralmente ocorre em áreas do cérebro que são mais lentas na captação de osmólitos, que incluem a ponte central (30-50%), locais extrapontinos (20-50%) ou ambos. Os fatores de risco para SDO incluem transplante de fígado, hemodiálise, alcoolismo e hipercorreção de sódio. As características clínicas da SDO incluem disartria, quadriparesia, distúrbio do movimento, encefalopatia ou síndrome de bloqueio, dependendo dos locais envolvidos.

A ressonância magnética cerebral é o padrão ouro para o diagnóstico de SDO. As características típicas da RM são sinal do tridente, hiperintensidade em T2/FLAIR no mesencéfalo, tálamo bilateral, núcleos da base ou uma combinação destes. O sinal do tridente é descrito como uma hiperintensidade de sinal em T2/FLAIR, de aspecto simétrico na região pontina central com preservação do trato corticoespinhal descendente. É normalmente visto na SDO. No entanto, pode ser visto em outras condições, como doença de Wilson e esclerose múltipla.

Atualmente, não há terapia comprovadamente eficaz para SDO. O sucesso do tratamento com imunoglobulina intravenosa, metilprednisolona e plasmaférese tem sido relatado na literatura. O paciente foi submetido à plasmaférese e apresentou boa melhora clínica. No entanto, mais evidências são necessárias para confirmar a eficácia da imunoterapia. Além das características típicas da RM, o caso também destacou a importância da correção cautelosa do sódio para prevenir a SDO.

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