Nesta aula, o Dr. Tomás Freddi apresenta de forma prática e objetiva o novo Score de hipertensão intracraniana idiopática (HII) publicado em 2026 — um instrumento padronizado para transformar achados de ressonância magnética qualitativos em uma métrica diagnóstica reprodutível.
Conteúdos Abordados
- Contexto e novidade: apresentação do estudo de 2026 que propõe o Score de HII e um índice de rigidez de fluxo liquórico; discussão sobre aplicabilidade clínica do índice de fluxo e foco prático no Score.
- Parâmetros do Score: seis sinais radiológicos avaliados — espaço liquórico peri-óptico, bainha do nervo óptico, cavo de Meckel, sela túrcica (vazia/partially vazia), papila do nervo óptico (inversão), tortuosidade do nervo óptico e retificação da parede posterior do globo ocular; pontuação atribuída a cada parâmetro.
- Método de medida: instruções práticas para medições reprodutíveis (axial T2 e sagital T1): 3 mm atrás da margem posterior do globo para o diâmetro lateral da bainha-nervo, medida do cavo de Meckel no nível do ápice petroso, e critérios para sela vazia/ parcialmente vazia.
- Interpretação do escore: faixas diagnósticas — 0–2 improvável HII; 3–5 espectro/possível normotenso (borderline); ≥6 alta sensibilidade; ≥7 alta sensibilidade e especificidade.
- Protocolo de imagem e recomendações práticas: sequências convencionais (sagital T1 e axial T2) são suficientes para os três parâmetros principais; recomenda-se RM de órbitas e angioressonância venosa quando clínico suspeito.
- Limitações e pontos de atenção: dificuldades na avaliação de inversão papilar e retificação da parede posterior do globo em cortes axiais grossos; recomendações para otimizar reprodutibilidade na prática diária.
Medições e critérios principais (resumo prático)
- Espaço liquórico peri-óptico (axial T2): medir o maior diâmetro transverso do complexo bainha–nervo óptico a 3 mm posterior à margem posterior do globo.
0 pontos: <3 mm; 1 ponto: 3–5 mm; 2 pontos: >5 mm. - Cavo de Meckel (axial, nível do ápice nervoso/petroso): diâmetro lateral.
0 pontos: <3 mm; 1 ponto: 3–5 mm; 2 pontos: >5 mm. - Sela túrcica (sagital T1): 0 pontos se normal; 1 ponto se parcialmente vazia; 2 pontos se vazia.
 >Partially vazia: hérnia líquor menor que 50% da sela e hipófise ≥3 mm.
 >Vazia: preenchimento por líquor >50% e hipófise ≤2 mm. - Papila do nervo óptico: inversão visível = 2 pontos; ausente = 0 pontos.
- Tortuosidade do nervo óptico: presente = 1 ponto; ausente = 0 pontos.
- Retificação da parede posterior do globo: presente = 1 ponto; ausente = 0 pontos.
Interpretação clínica
- 0–2: improvável HII por imagem.
- 3–5: espectro de HII — paciente possivelmente normotenso; abertura da pressão ao LCR pode ser normal. Neste grupo o índice de fluxo liquórico proposto pelos autores pode melhorar a acurácia, mas sua implementação exige software dedicado e aquisição específica.
- ≥6: alta sensibilidade para HII; ≥7: alta sensibilidade e especificidade — diagnóstico por imagem fortemente suportado.
Protocolo e aplicabilidade
Os autores utilizaram sequências convencionais padrão: sagital T1 e axial T2 (padrão institucional). Não é obrigatório um T2 ultra-fino, embora cortes finos possam facilitar medidas. A escolha do plano axial foi feita visando aplicabilidade na rotina do PACS e boa reprodutibilidade para os três parâmetros principais (sela túrcica, espaço peri-óptico e cavo de Meckel).
Limitações práticas
- A inversão papilar e a retificação da parede posterior do globo podem ser menos detectáveis em cortes axiais grosseiros ou quando o nervo está tortuoso; atenção ao protocolo de órbitas se essas variáveis forem críticas.
- O índice de fluxo liquórico (rigidez) demanda aquisição e processamento adicionais (software comercial) — útil em casos normotensos, mas de difícil replicação em todas as rotinas.
Exemplo clínico apresentado
O autor mostra um caso em que: sela túrcica vazia (2 pontos), cavo de Meckel >5 mm (2 pontos) e espaço peri-óptico >5 mm (2 pontos) totalizando 6 pontos, com tortuosidade adicionando 1 ponto (total 7) — imagem compatível com HII com alta sensibilidade e especificidade.
Mensagens finais
O Score de HII padroniza e quantifica achados de ressonância, facilitando a comunicação entre clínicos e radiologistas e favorecendo decisões diagnósticas mais objetivas. Na prática clínica, solicite ressonância de encéfalo com protocolo de órbitas e angioressonância venosa quando houver suspeita de HII. O autor sugere que o score tem mérito clínico e espera-se ampla adoção; o índice de fluxo pode complementar casos borderline, quando disponível.
Veja o vídeo desta aula
Sugestão de laudo Encefalocele Esfenoidal
Conclusão
Esta aula traz uma síntese prática de um instrumento novo e potencialmente transformador para o diagnóstico por imagem da HII. O Dr. Tomás Freddi enfatiza medições reprodutíveis, uso de protocolos rotineiros e indicações clínicas para maximizar o valor da ressonância na suspeita de hipertensão intracraniana idiopática.
Keywords: hipertensão intracraniana idiopática, HII, Score HII, ressonância magnética, órbitas, sela túrcica, cavo de Meckel, nervo óptico, angioressonância venosa, diagnóstico por imagem


